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Paróquia de Santo André
2026
Publicado a 23 de agosto de 2026 por Padre Marco André Paleta Belchior
Entre os dias 16 e 23 de agosto, os escuteiros do Agrupamento 927 – Santo André viveram uma experiência que certamente ficará na memória de todos: percorrer o Caminho Português de Santiago, numa peregrinação que os levou desde Valença até à Catedral de Santiago de Compostela, ao longo de cerca de 120 quilómetros a pé.
A atividade começou no dia 15 de agosto, com a Eucaristia de envio e a consequente partida de Santo André em direção a Valença. No dia seguinte, mochilas às costas e credenciais de peregrino preparadas, começou verdadeiramente o percurso a pé. Seguiram-se seis etapas: Valença–Porriño, Porriño–Redondela, Redondela–Pontevedra, Pontevedra–Caldas de Reis, Caldas de Reis–Padrón e, finalmente, Padrón–Santiago de Compostela.
Foram dias de muitos quilómetros, de cansaço e esforço físico, mas também de alegria, amizade, entreajuda e descoberta. No Caminho, cada um teve de aprender a conhecer os seus próprios limites e, simultaneamente, a olhar para quem caminhava ao seu lado. Houve momentos em que foi preciso abrandar, esperar, ajudar, encorajar ou simplesmente continuar a colocar um pé diante do outro.
Desde a sua preparação, esta peregrinação foi pensada para que os quilómetros percorridos exteriormente fossem acompanhados por um verdadeiro caminho interior.
Cada etapa teve, por isso, um tema próprio. Começámos por nos desafiar a «fazer-nos ao caminho» e a pensar naquilo que levamos connosco. A mochila tornou-se também imagem da nossa própria vida: das coisas verdadeiramente necessárias, mas igualmente dos pesos que transportamos e que, por vezes, precisamos de aprender a deixar para trás.
Ao longo dos dias fomos convidados a refletir sobre a nossa «bagagem», sobre «eu e os outros», sobre a presença de «Deus no meu caminho» e sobre «o meu lugar na Igreja».
A oração acompanhou diariamente a peregrinação. Antes de partir, colocávamos diante de Deus o dia que começava, as pessoas que caminhavam connosco, as dificuldades que poderiam surgir e aquilo que cada um trazia no coração. Pelo caminho houve também espaço para o silêncio, para a reflexão pessoal, para a partilha e para reconhecer Deus na beleza da criação, nos outros peregrinos e nos pequenos gestos de amizade e serviço.

Talvez uma das maiores aprendizagens destes dias tenha sido precisamente esta: ninguém chega sozinho a Santiago.
Quando os quilómetros começam a pesar nas pernas, quando a mochila parece tornar-se mais pesada ou quando o cansaço começa a vencer o entusiasmo dos primeiros dias, percebemos de outra maneira o valor de uma palavra de incentivo, de esperar por quem caminha mais devagar, de repartir aquilo que temos ou simplesmente de permanecer ao lado de alguém.
Também nisso o Caminho se tornou uma verdadeira experiência escutista. Caminhar em grupo significou aprender novamente que cada pessoa tem o seu ritmo e as suas dificuldades, mas que todos pertencemos à mesma comunidade e procuramos chegar juntos à mesma meta.
A vieira, a mochila, as botas, a Cruz de Santiago e tantos outros sinais que encontrámos pelo percurso deixaram, assim, de ser apenas símbolos tradicionais do Caminho para se tornarem imagens da própria experiência que fomos vivendo.
No dia 22 de agosto, depois da última etapa, com cerca de 24 quilómetros entre Padrón e Santiago de Compostela, surgiu finalmente diante dos peregrinos a tão esperada Catedral.
Depois de tantos passos, do cansaço acumulado, das dificuldades vencidas e de tantos momentos partilhados, chegar à Praça do Obradoiro teve necessariamente um significado diferente. Santiago já não era apenas um ponto assinalado no mapa: era a meta de um caminho construído passo a passo.
A chegada junto do túmulo do Apóstolo Santiago permitiu também recordar a razão mais profunda desta antiga peregrinação cristã. Há séculos que homens e mulheres percorrem estes caminhos levando consigo perguntas, agradecimentos, dificuldades, esperanças e intenções. Desta vez, também os escuteiros de Santo André passaram a fazer parte dessa longa história de peregrinos.

No dia 23 chegou o momento do regresso a casa. Mas o próprio guião que acompanhou os peregrinos deixava um último desafio: o verdadeiro caminho não termina em Santiago.
Voltamos aos mesmos lugares, às nossas famílias, ao trabalho, brevemente à escola, ao agrupamento e à comunidade paroquial. Mas regressamos depois de termos caminhado juntos, depois de termos conhecido melhor os nossos limites e capacidades e depois de termos experimentado que, muitas vezes, aquilo que parecia difícil se tornou possível porque alguém caminhou ao nosso lado.
É agora na vida quotidiana que aquilo que aprendemos no Caminho deverá continuar: na capacidade de servir, de reparar no outro, de não desistir perante as dificuldades, de fazer silêncio, de agradecer e de reconhecer que Deus também caminha connosco nas estradas mais comuns da nossa vida.
Para o Agrupamento 927 – Santo André, esta peregrinação ficará certamente como uma das grandes experiências deste verão de 2026. Foram cerca de 120 quilómetros percorridos a pé, muitas centenas de milhares de passos e inúmeras histórias que cada peregrino levará consigo.
Mas talvez a distância mais importante não possa ser medida em quilómetros: é aquela que vai da pessoa que iniciou o Caminho à pessoa que regressou dele.
Porque chegámos a Santiago.
Mas o Caminho continua.
Buen Camino!